Arquivo | agosto, 2012

Vende-se a Rua da Carioca

30 ago

Dona de 42 imóveis, entre eles o Bar Luiz e a Guitarra de Prata, ordem religiosa notificou inquilinos de que só fechará negócio em lote e por R$ 54 milhões. Comércio vai recorrer

Rio – Ilustres e tradicionais inquilinos dos sobrados do lado esquerdo da Rua da Carioca, tombada pelo patrimônio estadual desde 1982, estão ameaçados de despejo.

Proprietária dos 42 imóveis, a Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, anunciou a venda do lote por mais de R$ 54 milhões e notificou os ocupantes.

A decisão pode significar o fim de estabelecimentos como o Bar Luiz e a centenária loja de instrumentos Guitarra de Prata. A dona dos imóveis, no entanto, ignorou a exigência de notificar o órgão que tombou os sobrados, o Inepac, que vai investigar o caso.

Todo o lado esquerdo da Rua da Carioca, com seus sobrados tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural, está ameaçado | Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia

Há mais de 40 anos no endereço, José Palácios, da Mariu’s Sport, está apreensivo. “Estamos há tantos anos pagando o aluguel. A notícia é de estremecer”, reclamou.

Conforme o documento de notificação, o motivo da venda em lote seria a urgência para quitar dívidas “fiscais, tributárias, previdenciárias e bancárias”. A Ordem ainda alega que precisa do dinheiro para continuar atividades do hospital que administra.

Para Afrânio Capetine, gerente da Guitarra de Prata, loja há mais de 125 anos no local, a falta de informação gera insegurança. “Não sabemos o que vai acontecer, se vamos ter que brigar judicialmente. A situação é instável”, ponderou Capetine.

Há 125 anos no endereço, Guitarra de Prata foi notificada da venda | Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia

O presidente da Sociedade dos Amigos da Rua da Carioca, Roberto Cury, convocou reunião com os inquilinos, que querem o direito de cada comerciante comprar sua loja individualmente: “Se um comprador só levar o lote todo, fará o que quiser. Queremos evitar que acabem com a identidade da rua”.

Segundo o presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Washington Fajardo, o interesse da prefeitura é manter a originalidade da Rua da Carioca. Ele crê que a venda em lote poderá ocasionar o aumento dos aluguéis, hoje entre R$ 7 mil e R$ 16 mil: “O modelo da venda é equivocado e o objetivo é o lucro rápido”.

O Bar Luiz, de 87 anos, está na lista da Ordem, mas não recebeu a notificação. Isso deverá ser usado como argumento pelo comércio para anular o processo.

Antiga dona de cerca de 1.200 imóveis, a Ordem tem hoje 300. O Cine Íris, também na Rua da Carioca, foi vendido há 15 anos.

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